A argentina Mercedes Sosa está ao lado de Violeta Parra
Por Alexandre Barbosa
04/10/2009
Devo ter ouvido Mercedes Sosa ainda quando era criança, mas sem a maturidade suficiente para entender a potência política daquela voz. Mais tarde, ouvi defintivamente pela primeira na casa de uma saudosa amiga de origem chilena quando ainda era estudante de ensino médio. Não lembro se ainda era disco ou se já estávamos no CD. Mas lembro que meu coração foi inundado pela paixão, pela poesia e pelo protesto daquela significativa voz.
Conheci Violeta Parra primeiro na voz dela. Além das clássicas Volver a los 17 e Gracias a La Vida. De tão famosas, há quem se confunda que Mercedes seria a autora. E essa é uma de suas qualidades. As interpretações.
Na sequência, me apaixonei por Me gustan los estudiantes e pela belíssima "Que he sacado con quererete". Essas eu ouvi numa fita K7 que por anos eu persegui, até encontrar num sebo o disco em que Sosa canta Violeta Parra.
| Me gustan los estudiantes | Qué he sacado con quererte |
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¡Que vivan los estudiantes, ¡Que vivan los estudiantes Me gustan los estudiantes Me gustan los estudiantes Me gustan los estudiantes Me gustan los estudiantes Me gustan los estudiantes (1960-1963) |
¿Qué he sacado con la luna, ay ay ay, ¿Qué he sacado con el lirio, ay ay ay, ¿Qué he sacado con la sombra, ay ay ay Aquí está la misma luna, ay ay ay, (1964-1965) |
Se Mercedes apenas tivesse gravado alguns clássicos, sua contribuição para a América Latina já teria sido gigantesca. Graças a ela as novas gerações podem conhecer a poesia de Violeta Parra, Victor Jara e Atahualpa Yupanqui.
"E ela foi além. Denunciou ditaduras militares. Nos anos 60, ao lado de seu amigo Armando Tejada Gomez deu ânimo ao movimento da nova canção. Em 1975 foi presa durante um show e em 79 teve de se exilar de sua querida argentina. Durante os anos 80, foi madrinha do grupo Raíces de América e não parou mais de levar a América Latina Popular para todas as frentes de atuação.
A compatriota Mariana Avena (na foto cantando de pé ao lado de Sosa na última apresentação no Brasil) sentiu muito a perda de quem era considerada "la mama".
"Estou muito, muito triste, a minha sensação é como a de ter perdido a minha mãe, minha conexão com ela era tanta que quando ela entrou na UTI eu estava ouvindo sua música e pensando em ligar para ela, sem saber que ela estava doente.
Para nós artistas é uma grande perda, para os admiradores, para os compositores, para os músicos, para a Argentina, para o mundo...a voz da América se calou...mas nos deixou sua obra, e nessa obra ela está viva, em cada canção, em cada música, Mercedes, ' la mama' como a chamávamos os mais cercanos...estará sempre presente e viva em nossos corações e no coração e na alma da América Latina", disse Mariana.
Aqui no Brasil, sua morte ganhou destaque, mesmo que muito menor do que merecia. É triste ver na indústria jornalística que os textos sobre ela são escritos com base nas agências internacionais. Na comparação abaixo, o merecido destaque ficou com a imprensa argentina.
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Ao lado, el Mercurio, do Chile, traz como foto principal o velório em Buenos Aires. Acima, dois dos principais jornais brasileiros, trazem ligeiro destaque para a morte, ainda que o futebol seja o tema principal. Abaixo, os principais jornais argentinos trazem grande destaque. No Clarín, com direito a caderno especial. |
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Ainda bem que a imprensa alternativa e a especializada na América Latina se encarrega de fazer a memória. Leia abaixo.
Ouça na Rádio Latinoamericano a interpretação de Plegaria a un labrador
Editor da revista Onda Latina, Franklin Valverde, fala de suas saudades
Cobertura do site Cancionero.com
Saiba mais sobre Mercedes Sosa
Veja o site oficial
Graças à Mercedes Sosa, vários cancioneros latino-americanos puderam ser conhecidos. Haydée Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán em 9 de julhode 1935. Vem do seu humilde local de nascimento o apego pelas expressões artísticas populares. Ainda adolescente, já ensinava danças folclóricas. Nos anos 60, participou de um forte movimento chamado Nova Canção, uma corrente renovadora do folclore, surgida en na província de Mendoza. Entre os artistas deste movimento estava Armando Tejada Gómez. Em 1971 gravou Homenaje a Violeta Parra. Este trabalho imortalizou em sua voz clássicos como Volver a los 17 e Gracias a La Vida. suas posições políticas a levaram ao exílio durante a ditadura militar argentina. HOje, La Negra Sosa, segue promovendo e divulgando as raízes da América Latina. O cancioneiro de Mercedes Sosa é fantástico, em sua homenagem, ouça Cuando Tenga la Tierra e El violín de Becho.
Cuando tenga la tierra (Daniel Toro - Ariel Petrocelli) Cuando tenga la tierra Cuando tenga la tierra Cuando tenga la tierra Cuando tenga la tierra Campesino, cuando tenga la tierra Campesino Cantaré, Cantaré. |
El violín de Becho (Alfredo Zitarrosa) Becho toca el violín en la orquesta, Porque a Becho le duelen violines, Becho tiene un violín que no ama, Mariposa marrón de madera, Porque a Becho le duelen violines, Vida y muerte, violín, padre y madre; |