Edição 02

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La exiliada del Sur e Amanheceu, Peguei a Viola

25 de fevereiro de 2010
Rádio LatinoamericanoNa rádio latinoamericano o internauta poderá comprovar a tese que a América Latina guarda muito mais identidades do que julga o senso comum.

Para o professor Emir Sader, não há nada mais próximo que um camponês latinoamericano que outro camponês latinoamericano. E isso se reflete na música tradicional e folclórica. Há temáticas muito próximas entre canções brasileiras e mexicanas ou chilenas.

Nesta segunda edição, são comparadas as músicas La Exiliada del Sur, da chilena Violeta Parra e Amanhece, Peguei a Viola, de Rolando Boldrin, do Brasil.

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Música camponesa da América Latina
A temática do cantador que percorre o país

Os cantadores da América Latina são muito ligados à sua terra. Em "Entre a mi Pago sin Golpear", Atahualpa Yupanqui diz que "estava onde nascí o que buscava por aí" e fala com paixão dos pampas argentinos.

Esse exemplo se multiplica. A Rádio Latinoamericano traz uma comparação entre a mãe da música latino-americana, Violeta Parra, um dos maiores defensores do folclore brasileiro, Rolando Boldrin.

Em Exiliada del Sur (que pode ser ouvida aqui na interpretação do grupo chileno Inti-Illimani), Violeta fala de lugares do sul do Chile por onde vai deixando partes de seu corpo e alma de cantora.

Na clássica Amanheceu, Peguei a Viola, o ritmo e o sentimento são de alegria e brincadeira, contando o dia de um cantador que sai pelo Brasil deixando sua música e seus amores.

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La exiliada del sur Amanheceu, Peguei a Viola

Un ojo dejé en Los Lagos
por un descuido casual,
el otro quedó en Parral
en un boliche de tragos;
recuerdo que mucho estrago
de niño vio el alma mía,*
miserias y alevosías
anudan mis pensamientos,
entre las aguas y el viento
me pierdo en la lejanía.

Mi brazo derecho en Buin
quedó, señores oyentes,
el otro en San Vicente
quedó, no sé con qué fin;
mi pecho en Curacautín
lo veo en un jardincillo,
mis manos en Maitencillo
saludan en Pelequén,
mi blusa en Perquilauquén
recoge unos pececillos.

Se m’enredó en San Rosendo
un pie el cruzar una esquina,
el otro en la Quiriquina
se me hunde mares adentro,
mi corazón descontento
latió con pena en Temuco
y me ha llorado en Calbuco,
de frío por una escarcha,
voy y enderezo mi marcha
a la cuesta ’e Chacabuco.

Mis nervios dejo en Granero,
la sangr’en San Sebastián,
y en la ciudad de Chillán
la calma me bajó a cero,
mi riñonada en Cabrero
destruye una caminata
y en una calle de Itata
se me rompió el estrumento,
y endilgo pa’ Nacimiento
una mañana de plata.

Desembarcando en Riñihue
se vio a la Violeta Parra,
sin cuerdas en la guitarra,
sin hojas en el colihue;
una banda de chirigües
le vino a dar un concierto;
con su hermanito Roberto
y Cochepe forman un trío
que cant'al orilla del río
y en el vaivén de los puertos.

 

Amanheceu, peguei a viola
botei na sacola e fui viajar

Sou cantador e tudo nesse mundo
vale pra que eu cante e possa praticar
A minha arte sapateia as cordas
Esse povo gosta de me ouvir cantar

Amanheceu, peguei a viola
botei na sacola e fui viajar

Ao meio dia eu estava em Mato Grosso
Do Sul ou do Norte, não sei explicar
Só sei dizer que foi de tardezinha
eu já estava cantando em Belém do Pará

Amanheceu, peguei a viola
botei na sacola e fui viajar

Em Porto Alegre um tal de coronel
pediu que eu musicasse uns versos que ele fez
para uma "china" que pela poesia
nem lá em Pequim se ve tanta altivez

Amanheceu, peguei a viola
botei na sacola e fui viajar

Parei em Minas pra trocar as cordas
e segui direto para o Ceará
e no caminho eu fui pensando
é linda essa grande aventura de poder cantar

Amanheceu, peguei a viola
botei na sacola e fui viajar

Chegou a noite e me pegou cantando
em um bailão la no norte do paraná
Dai pra frente ninguem mais se espante
o resto da noitada eu não posso contar

Anoiteceu e eu voltei pra casa
que o dia foi longo e sol quer descansar

Amanheceu, peguei a viola
botei na sacola e fui viajar